Quinta, 11 Agosto
22h00
  Que acontece quando juntamos: uma pitada de surrealismo, um toque de folclore moderno, e uma boa porção de talharpa, a harpa de cauda? E se ainda misturarmos tudo isto usando caixas de efeitos e loops? A resposta é o neo-zombie-post-folk duo da Estónia, Puuluup, os entusiastas da talharpa, Marko Veisson e Ramo Teder! Ramo é um multi-instrumentista conhecido pelo seu projeto de música eletrónica a solo, “Patascas”. É, também, um artista visual e um pioneiro do looping na Estónia, uma técnica que domina há uns bons vinte anos. Marko tem formação em antropologia, e o trabalho de campo que fez no norte de Gana, bem como o seu amor pela música da África Ocidental, influenciaram, sem dúvida alguma, o estilo musical dos Puuluup. Os Puuluup ressuscitaram a antiga talharpa (uma lira curvada de quatro cordas), que foi popular no norte da Europa desde a Alta Idade Média, e tocada nas ilhas ocidentais da Estónia até ao início do século XX. Na música dos Puuluup a talharpa ganha um som inédito. Traz reminiscências das velhas tradições, mas adquire outras sonoridades quando lhe é aplicada a eletrónica e o looping, sendo muitas vezes tocada com técnicas experimentais. A música tem um batida dançante, e flirta com o hip-hop e o reggae, soando como um o sountrack de um filme negro, mas passado nos aposentos de tocadores de talharpa ancestrais, ou numa viagem para lugares longínquos. Também todo o tipo de fontes aleatórias é igualmente importante para a composição – inesperados excertos de séries de televisão polacas, punk estónio dos primeiros tempos, e pão doce da ilha de Vormsi. Jogam com a música tal como jogam com as palavras, por vezes inventado a sua própria língua. E tudo é apresentado com um sentido de humor único e muita originalidade. O que chamamos a um morto que é reanimado do reino dos mortos, e que age estranhamente? Um zombie, obviamente. As talharpas que os Puuluup tocam são como mortos-vivos que saíram das tumbas com o seu zombie walk. É por isso que os Puuluup chamam à sua música zombiefolk. Ou antes, neozombiepostfolk, para sermos mais exatos.
Este é um concerto Liveurope: a primeira iniciativa pan-europeia que apoia salas de programação de música nos seus esforços de promoção de artistas emergentes europeus. O Liveurope é co-financiado pelo programa Europa Criativa da União Europeia.
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